Resumo da notícia
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Bitcoin cai para US$ 69 mil e renova mínimas de 15 meses, ampliando liquidações e pressionando suportes críticos.
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Analistas afirmam que vendas coordenadas e queda da demanda institucional consolidam um bear market que pode durar até 2026.
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Indicadores técnicos e on-chain mostram fraqueza extrema, enquanto especialistas preveem que o BTC não deve subir mais em 2026.
O Bitcoin voltou a desabar nesta quinta-feira e marcou um novo momento crítico no mercado. O ativo caiu para US$ 69 mil, rompendo pela primeira vez desde 2024 a região que muitos analistas enxergavam como a última defesa dos compradores.

A queda ganhou força na madrugada asiática, quando dados do TradingView registraram US$ 69.100 na Bitstamp, o menor valor em 15 meses. O movimento abriu uma nova rodada de liquidações e eliminou US$ 130 milhões em posições compradas em apenas quatro horas, segundo a CoinGlass.
Esse efeito em cascata surgiu de forma semelhante nas commodities, já que ouro e prata também passaram por reversões violentas no mesmo período.
O ouro, que havia recuperado parte das perdas no dia anterior, despencou para US$ 4.789 antes de tentar retornar ao patamar de US$ 5.000. A prata oscilou entre US$ 90 e US$ 73, refletindo um ambiente dominado por volatilidade extrema. Esse comportamento reforçou a percepção de que investidores globais estavam reduzindo risco em diversas classes de ativos, o que empurrou ainda mais o Bitcoin para baixo.
A deterioração do cenário técnico foi rápida. O trader CW afirmou que o BTC entrou em uma zona crítica de suporte e alertou que a perda definitiva do nível de US$ 69 mil poderia abrir espaço para uma queda ainda mais profunda. Muitos analistas já discutem a região de US$ 50 mil como próximo ponto relevante, enquanto a média móvel exponencial de 200 semanas, logo abaixo do preço atual, se tornou a linha mais observada do mercado.
Venda coordenada
O clima ficou ainda mais tenso quando o trader veterano Peter Brandt descreveu o momento como um caso clássico de “campanha de venda”, indicando que grandes entidades estariam despejando Bitcoin de forma coordenada.
O empreendedor Alistair Milne concordou e afirmou que “alguém muito grande está vendendo com prazo definido”. Ele comparou o episódio à distribuição dos BTCs do governo alemão no ano passado, quando grandes quantidades foram enviadas a mesas OTC para execução direta.
A pressão também ficou evidente nos Estados Unidos. Segundo o Coin Bureau, baleias venderam grandes volumes durante o horário norte-americano, algo confirmado pelo índice Coinbase Premium, que mede a diferença entre o preço do BTC na Coinbase e na Binance.
O indicador está no patamar mais baixo em mais de um ano, evidenciando falta de demanda institucional americana. Para o CEO Nic Puckrin, essa métrica mostra que o mercado “não está comprando o Bitcoin atual”, e que a pressão só diminuirá quando o índice reverter.
Do ponto de vista estrutural, a queda reforçou a leitura de que o mercado já opera em um bear market oficial. Instituições como CryptoQuant e Bitwise apontam que o Bitcoin entrou em um ciclo de baixa que pode se estender até o terceiro trimestre de 2026. O BTC já caiu 41% desde o pico de US$ 126 mil, ultrapassando com folga o limite de 20% que caracteriza um mercado de baixa.
Bitcoin opera abaixo das médias móveis
A CryptoQuant lembra que o Bitcoin opera abaixo das médias móveis de 200 e 365 dias, enquanto seu índice de força de ciclo, o Bull Score, está em 20 pontos, um nível historicamente associado a fases prolongadas de fraqueza. O mercado de opções também reforça essa leitura, com investidores protegendo posições e comprando contratos defensivos. Os ETFs seguem pressionados e acumulam US$ 440 milhões em saídas no ano, mostrando uma redução constante da liquidez institucional.
O comportamento das baleias confirma essa tendência. Desde outubro, grandes investidores venderam US$ 29 bilhões em BTC, sinalizando uma mudança de postura que contrasta com a narrativa otimista de ciclos anteriores. Ainda assim, pesquisas mostram uma contradição inédita: 26% das instituições acreditam que o mercado está em bear market, mas 62% mantêm ou aumentaram posições desde outubro. Além disso, 70% consideram o Bitcoin subvalorizado, mesmo enquanto reduzem sua exposição líquida ou reforçam hedge.
Essa dissonância define o que analistas chamam de “bear market moderno”, em que a queda não vem acompanhada de pânico generalizado, mas sim de uma reorganização estrutural do mercado. O ciclo agora depende menos do halving e mais de métricas macro como liquidez global, taxas reais e fluxo de stablecoins. VanEck e K33 destacam que o tradicional ciclo de quatro anos acabou, substituído por um regime em que liquidez vale mais do que narrativa.
Os especialistas enxergam três possíveis caminhos para o Bitcoin. O primeiro é um bear market clássico, com preço buscando entre US$ 56 mil e US$ 60 mil até meados de 2026. O segundo é um ciclo curto de baixa com recuperação em 3 a 6 meses, caso a venda institucional diminua. O terceiro é um bear market de liquidez, cujo fim depende da melhora de fluxos e demanda — e não de eventos programados.
Fonte UOL