Especialista aponta relação entre emagrecimento acelerado e desconexão emocional em mulheres

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A terapeuta Alline Froes tem observado um padrão recorrente em seus atendimentos clínicos: mulheres que buscam soluções rápidas para emagrecer, mas que, na raiz do processo, enfrentam uma profunda desconexão emocional consigo mesmas.

Segundo a especialista, a insatisfação com o corpo, muitas vezes atribuída apenas à estética, esconde questões mais profundas. “Não se trata apenas de peso ou aparência. São mulheres que evitam espelhos, fotos, ambientes iluminados e até momentos de intimidade, porque o próprio reflexo se tornou um gatilho emocional”, explica.

De acordo com Alline Froes, esse afastamento da própria imagem não nasce do corpo em si, mas de anos de sobrecarga mental e emocional. Mulheres que acumulam múltiplas responsabilidades, cuidam de todos ao redor, mantêm rotinas exaustivas e, nesse processo, acabam se colocando sempre em último lugar. “Quando percebem, já não se reconhecem mais”, afirma.

Essa desconexão, segundo a terapeuta, gera sentimentos como vergonha, retraimento e isolamento, além de uma busca intensa por resultados imediatos. No debate atual sobre medicamentos utilizados para emagrecimento, Alline destaca que pouco se fala sobre o aspecto emocional envolvido. “Essas intervenções atuam no corpo, mas não organizam a mente. Não tratam a compulsão, não resolvem a culpa, não curam padrões emocionais ou questões de identidade”, pontua.

Ela ressalta que, do ponto de vista terapêutico, é arriscado tratar apenas o sintoma físico quando a origem do sofrimento é emocional. “Quando a mente permanece ferida, a mudança exterior tende a ser instável. É comum que uma compulsão seja substituída por outra forma de fuga, como dependência emocional do próprio medicamento, medo constante de engordar novamente ou comportamentos de autossabotagem”, observa.

A pressão estética, segundo a especialista, intensifica esse processo. Mulheres já exaustas passam a acreditar que precisam de resultados imediatos como forma de compensar anos de cansaço, maternidade, trabalho excessivo e abandono de si mesmas. “Essa urgência raramente é sobre saúde. Na maioria das vezes, é sobre alívio emocional”, destaca.

Antes de qualquer intervenção física ou farmacológica, Alline Froes defende uma reflexão essencial: o que, na vida emocional, está pedindo atenção e vem sendo ignorado. Para ela, é nesse momento que se inicia um processo genuíno de reconexão. “Clareza mental, estabilidade emocional e recuperação da própria identidade são conquistas que nenhum remédio entrega”, afirma.

Na prática clínica, a terapeuta observa que, quando essa reconexão acontece, o corpo passa a acompanhar o movimento de dentro para fora. “São mulheres que não apenas emagrecem, mas voltam a se enxergar. E esse é o verdadeiro ponto de partida para qualquer transformação sustentável”, conclui.

Alline Froes é terapeuta e mentora, especialista em emagrecimento das emoções e Membra Prime do Papo de Leoa, ecossistema de desenvolvimento feminino.

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