Cônsul comercial da China anuncia novas iniciativas de cooperação com Brasil

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Cônsul comercial do Consulado Geral da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, apresenta dados da cooperação entre Brasil e China
Cônsul comercial do Consulado Geral da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui (foto de Mariana Scangarelli, Revista Intertelas)

Para Jing Yanhui, cônsul comercial do Consulado Geral da China no Rio de Janeiro, “a parceria China–Brasil promove benefícios mútuos e conquistas ganha-ganha na Cooperação Econômica e Comercial”. Em encontro com jornalistas no mês passado, o cônsul comercial abordou os casos de cooperação econômica e comercial ganha-ganha China–Brasil, a abertura de alto padrão da China durante o 15º Plano Quinquenal e os benefícios que o Brasil pode obter com o planejamento que orienta a economia e sociedade chinesas nos próximos cinco anos.

Sobre os benefícios mútuos, Jing Yanhui lembrou que, no início da reforma e abertura da China, a indústria manufatureira chinesa estava muito atrás do nível avançado mundial. Ele contou que, em 1983, a China importou modelos Santana da montadora alemã Volkswagen e que, na década de 1990, a China planejou modernizar os automóveis, mas não possuía capacidade técnica. Finalmente, em 1995, a China produziu o modelo Santana 2000 com a ajuda de técnicos brasileiros.

“Após décadas de esforços, a indústria automobilística chinesa fez progressos notáveis, e o setor de veículos de novas energias ocupa uma posição de liderança global. Em 2025, a BYD, montadora chinesa, instalou uma fábrica na Bahia e trouxe modelos de veículos de novas energias para o mercado brasileiro. A GWM e a Chery também instalaram fábricas no Brasil. A GAC, a Geely, entre outras, também oferecem opções mais modernas e acessíveis para os consumidores brasileiros”.

Cooperação entre China e Brasil na área de energia

Transformador stand-by da subestação da XRTE, da State Grid Brazil Holding, em Paracambi, RJTransformador stand-by da subestação da XRTE, da State Grid Brazil Holding, em Paracambi, RJ
Transformador stand-by da subestação da XRTE em Paracambi, RJ (foto State Grid Brazil Holding)

O cônsul comercial também salientou outro aspecto notável, desta vez na área de energia, que aconteceu em 2006, quando a China fez um avanço significativo na tecnologia de transmissão de ultra-alta tensão. “Em 2014, a SGBH [State Grid Brazil Holding] trouxe para o Brasil a tecnologia de transmissão de corrente contínua de ultra-alta tensão de ±800 quilovolts. O projeto de transmissão UHVDC de Belo Monte é considerado a rodovia de energia do Brasil”.

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Yanhui contou que, em 1991, a China planejava construir a Usina Hidrelétrica das Três Gargantas e enviou diversas delegações a Itaipu para aprender com o Brasil. “Em 2012, a Usina Hidrelétrica das Três Gargantas foi totalmente concluída, e atualmente, a CTG pode compartilhar sua experiência em gestão digital de barragens com Itaipu”.

Ainda sobre o salto de qualidade tecnológica da China, Yanhui contou aos jornalistas que, em 2002, a Embraer estabeleceu uma joint venture, a Harbin Embraer, na China e entregou cerca de 200 aeronaves ao país. Nos últimos anos, no entanto, “a indústria chinesa de veículos aéreos não tripulados (vants, mais conhecidos como dornes) se desenvolveu rapidamente e tem sido amplamente adotada pelos consumidores brasileiros. Em 2025, o DJI Agridrone realizou um voo de demonstração na Exposição Brasileira de Tecnologia Agropecuária em São Paulo. O Ehang eVTOL concluiu seu primeiro voo de teste no Brasil e fornecerá soluções de mobilidade aérea urbana (UAM) no futuro”.

Café do Brasil na China, exportaçãoCafé do Brasil na China, exportação
Café do Brasil na China (foto: J.C.Cardoso)

Estrutura complementar impulsiona cooperação industrial entre China e Brasil

O comércio entre a China e o Brasil também alcançou benefícios mútuos e resultados vantajosos para ambos. “A chave”, segundo Yanhui, “reside na estrutura industrial altamente complementar. Em 2024, a produção de aço da China atingiu 1,005 bilhão de toneladas, ocupando o primeiro lugar no mundo. Enquanto isso, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de minério de ferro, atrás apenas da Austrália. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, enquanto a China é o maior importador”, salienta Jing Yanhui.

Além da Feira de Cantão, a Exposição Internacional de Importação da China (CIIE) proporcionou uma plataforma para os exportadores brasileiros apresentarem seus produtos aos chineses. Em 2017, o Brasil exportou menos de 83 mil sacas de café para a China. E em 2024, a China importou quase 1,27 milhão de sacas do Brasil, o que representa 15 vezes a quantidade antes da CIIE. “Esses são vários exemplos de situações vantajosas para todos”.

O 15º Plano Quinquenal

Agora, sobre o 15º Plano Quinquenal da China, que declara claramente a promoção da abertura de alto padrão e a criação de novos horizontes para a cooperação mutuamente benéfica, Yanhui disse que a China pretende expandir o acesso ao mercado e abrir mais áreas, “otimizar e aprimorar o comércio de bens e buscar o desenvolvimento equilibrado de importações e exportações, impulsionar o desenvolvimento do comércio de serviços, e buscar o desenvolvimento inovador do comércio digital.

Sobre a expansão da cooperação bilateral em investimentos, Yanhui diz que o futuro promete “cultivar novas vantagens na atração de IED (Investimento Estrangeiro Direto), reduzindo a lista de restrições para investimentos estrangeiros, gerenciar eficazmente os investimentos no exterior e promover o desenvolvimento integrado do comércio e do investimento.

Cooperação de alta qualidade no Cinturão e Rota

Yanhui também ressaltou a busca de uma cooperação de alta qualidade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, a nova tota da seda, a partir de medidas como “fortalecer o alinhamento estratégico com os países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota e coordenar e gerenciar melhor os programas de cooperação, bem como aprimorar a conectividade em termos de infraestrutura, regras e padrões, e fortalecer os laços com a população”. Ele sinalizou que a meta é avançar tanto em grandes projetos emblemáticos quanto em projetos de bem-estar público “pequenos e belos”.

Sobre os projetos que visam aprofundar a cooperação prática nas áreas de comércio, investimento, desenvolvimento industrial e intercâmbios interpessoais, as propostas do país asiático para o Brasil visam “lançar novas iniciativas de cooperação em áreas como desenvolvimento sustentável, inteligência artificial, economia digital, saúde, turismo e agricultura”.

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Fonte Monitor Mercantil

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