O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou nesta segunda-feira, após os Estados Unidos interceptarem um petroleiro com destino à China na costa venezuelana, que a interceptação de navios de outro país pelo governo estadunidense constitui uma grave violação do direito internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou, em entrevista coletiva, que a Venezuela tem o direito de desenvolver relações com outros países.

Lin Jian fez as declarações em resposta a uma pergunta da mídia sobre a apreensão de um petroleiro pela Guarda Costeira dos EUA em 20 de dezembro, com um funcionário da Casa Branca alegando que o navio pertencia à chamada “frota fantasma”.
“A China sempre se opõe a sanções unilaterais ilegais que não têm base no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Também se opõe a quaisquer ações que violem os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, infrinjam a soberania e a segurança de outros países ou constituam atos de intimidação unilateral”, afirmou Lin em uma coletiva de imprensa diária.
A Venezuela tem o direito de desenvolver de forma independente uma cooperação mutuamente benéfica com outros países, e a China acredita que a comunidade internacional compreende e apoia a posição da Venezuela na salvaguarda dos seus direitos e interesses legítimos, acrescentou Lin.
No sábado, a Guarda Costeira dos EUA interceptou o terceiro petroleiro em águas internacionais na costa venezuelana, dias depois de o presidente Donald Trump anunciar um “bloqueio” de todos os petroleiros sancionados unilateralmente pelos EUA que entram e saem da Venezuela. Segundo o governo americano, a embarcação fazia parte da evasão ilegal de sanções da Venezuela e estava portando uma bandeira falsa sob ordem judicial de apreensão.
O petroleiro, Centuries, carregou na Venezuela sob o nome falso de Crag e transportava cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo bruto venezuelano Merey com destino à China, segundo documentos. A China é a maior compradora de petróleo bruto venezuelano, que representa cerca de 4% de suas importações.
O governo venezuelano classificou a interceptação do petroleiro como um “grave ato de pirataria internacional”.
Com agências Brasil e Xinhua
Matéria atualizada às 19h25 para inclusão de mais declarações do porta-voz chinês

Fonte Monitor Mercantil
