Carros autônomos da Waymo ficam desorientados durante apagão em São Francisco
Sem semáforos, veículos sem motorista pararam no meio das vias e geraram congestionamento. Crédito: Reprodução/ redes sociais
NINGBO, CHINA — No início deste ano, fabricantes de automóveis chineses anunciaram com entusiasmo que em breve estariam produzindo e vendendo veículos autônomos em massa.
A maioria desses planos, porém, agora foi adiada, após um acidente fatal que atraiu ampla atenção pública.
Os reguladores da China finalmente deram sinal verde, na semana passada, para apenas dois dos nove fabricantes de automóveis que haviam apresentado planos para vender carros autônomos. As aprovações pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação foram feitas sob medida para permitir pouco mais do que testes adicionais, e não produção em massa.

O Xiaomi SU7 apresentado em uma exposição em Xangai Foto: Andrea Verdelli/The New York Times
O Beijing Automotive Group e a Changan Automobile, em Chongqing, poderão operar táxis autônomos em três trechos de rodovias nas respectivas cidades de cada empresa, disse o ministério, e os táxis não poderão trocar de faixa enquanto estiverem sob controle do computador. Em qualquer outra estrada, os táxis precisarão estar sob o controle de um motorista.
Os programas limitados representam um reconhecimento, pelo governo chinês, de que os objetivos definidos há quase cinco anos, de iniciar a produção em massa para venda ao público geral até o fim deste ano, eram demasiado ambiciosos.
Os reguladores da China começaram a recuar após um acidente de um Xiaomi SU7 no fim de março que matou três mulheres, todas estudantes universitárias. Notícias de acidentes anteriores envolvendo direção assistida haviam sido suprimidas pelos censores da China. Mas a notícia do acidente de março, em uma rodovia na província central de Anhui, se espalhou rapidamente e de forma ampla.
Surgiram perguntas sobre se motoristas ou fabricantes de automóveis poderiam ser legalmente responsabilizados por tais acidentes.
Segundo a Xiaomi, o carro estava se movendo a 115 km/h no modo de direção assistida quando detectou que sua faixa havia sido fechada devido a uma construção. O carro emitiu um aviso audível: “Atenção para obstáculos à frente”. O motorista assumiu o controle do veículo, que se chocou um segundo depois contra uma barreira de concreto, segundo a empresa.
A discussão pública da tragédia levou o Ministério da Segurança Pública da China a se envolver. O ministério emitiu uma declaração advertindo que a tecnologia de direção assistida disponível nos carros produzidos em massa na China não era o mesma que uma direção totalmente automatizada, e alertou motoristas sobre ter conversas que pudessem distrai-los.
Regulação envolve três níveis de autonomia
“O comportamento arriscado de brincar com telefones celulares, dormir, bater papo e comer após acionar a função de direção assistida não viola apenas as leis e regulamentos de segurança no trânsito, mas também representa uma grave ameaça à segurança de outros usuários da estrada”, disse o ministério.
Três níveis de tecnologia assistida ou sem motorista estão sendo debatidos na China.
A chamada tecnologia de Nível 2 ajuda a direcionar o carro, mas os motoristas são obrigados a manter as mãos no volante e os olhos na estrada. Isso já está amplamente disponível na China, incluindo no SU7 que se acidentou. Mas um relatório transmitido pela televisão estatal no verão passado descobriu que nenhum dos sistemas dos fabricantes domésticos era tão confiável quanto os da Tesla, a montadora americana que é popular na China.
Sob a tecnologia de Nível 3, os motoristas não precisam manter as mãos no volante ou os olhos na estrada, mas devem estar no assento do motorista e prontos para assumir o controle do carro.
O Nível 4 envolve táxis-robô sem motoristas; os passageiros sentam no banco de trás e podem ser bloqueados por uma divisória para que não alcancem os assentos da frente vazios. Mais de uma dúzia de cidades chinesas, notavelmente Wuhan, estão testando táxis-robô.

Táxi-robô Waymo em São Francisco, nos Estados Unidos: nível mais alto de testes ainda em andamento no China Foto: Waymo/Divulgação
Dias antes de o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação aprovar os dois serviços de táxi limitados para o Nível 3, a Geely Auto, a segunda maior montadora da China, tentou tranquilizar os reguladores e o público chinês sobre a segurança no trânsito. Em 12 de dezembro, a Geely inaugurou o maior centro de testes de segurança automotiva do mundo em Ningbo.
Jerry Gan, CEO da Geely, disse que sua empresa já havia começado a enviar alguns de seus carros Zeekr com o hardware necessário para operações de Nível 3. “Isso representa o mais alto padrão de segurança para direção assistida na era L3”, disse ele.
Após o acidente da Xiaomi, a televisão estatal da China divulgou um relatório em julho, amplamente visto na internet chinesa. Testes da tecnologia de Nível 2 em 36 modelos de carros de 20 marcas descobriram que pouco menos da metade dos automóveis poderia evitar com segurança um acidente quando encontravam caminhões perto de um canteiro de obras à noite, afirmou o relatório.
Apenas os dois modelos da Tesla no teste tinham sistemas de direção assistida confiáveis em uma ampla gama de situações de segurança.
Alguns fabricantes de automóveis chineses, como a Geely, estavam tão certos de que os sistemas de direção autônoma de Nível 3 seriam aprovados em breve que já haviam começado a produzir em massa carros com as câmeras necessárias e outros equipamentos. Mas, por enquanto, os carros estão sendo vendidos apenas com software de Nível 2, devido à inclinação dos reguladores de Pequim para uma maior cautela.
A Geely, a XPeng Motors e a Li Auto estão entre as empresas com licenças para continuar testando carros de Nível 3 nas estradas. Mas, ao contrário das afiliadas de táxi da Changan e do Beijing Automotive, elas ainda não têm licenças que lhes permitam iniciar o serviço comercial com esses carros.
“O que parecia ser um lançamento iminente do L3 foi, em retrospectiva, uma aceleração liderada por marketing correndo à frente da governança, dos frameworks de seguro e da confiança pública”, disse Bill Russo, consultor de carros elétricos em Xangai.
A decisão do governo sobre os serviços de táxi, disse, “formaliza uma pausa − não para parar o progresso, mas para desacelerá-lo, restringir seu escopo e colocar proteções ao redor dele”.
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Fonte ONU