O que os prêmios de risco climático físico significam para investidores
Os mercados de capitais parecem estar incorporando a exposição ao risco climático físico ao custo de capital das empresas. De modo geral, companhias com maior exposição física (+10) enfrentam um prêmio de cerca de 22 pontos-base no WACC, mesmo após o controle por setor, região e porte. Embora o efeito não seja visível nos dados brutos nem nos agregados por país, os mercados parecem precificar esse fator de forma sutil no conjunto global de empresas. Além disso, o efeito mostra-se heterogêneo até o momento, com o prêmio mais evidente e pronunciado em setores intensivos em infraestrutura, como materiais e serviços públicos, e em algumas regiões de mercados emergentes, como América Latina e Ásia. Esses resultados estão teoricamente alinhados e indicam que os investidores tendem a penalizar setores e regiões geralmente mais expostos a perturbações físicas.
Pesquisas futuras devem investigar de forma mais ampla o poder explicativo da exposição ao risco físico sobre os custos de financiamento, incorporando controles macroeconômicos adicionais e ratings de crédito, determinando se alguns mercados estão precificando a exposição a determinados riscos climáticos com maior intensidade do que outros.
Em uma perspectiva mais ampla, a principal conclusão para os investidores é que já pode estar sendo atribuído um prêmio financeiro às exposições a riscos físicos. Os investidores devem buscar integrar fatores de risco físico em valuations, modelos de fluxo de caixa descontado, alocações de ativos e processos de investimento mais abrangentes, a fim de manter retornos ajustados ao risco, à medida que os mercados passam a reconhecer de forma mais clara a realidade das mudanças climáticas. As empresas, por sua vez, devem observar que, ao demonstrar resiliência ao risco físico, por meio da divulgação de avaliações de risco climático e de planos de adaptação consistentes, poderão reduzir seus custos de financiamento no futuro.
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Observações técnicas
O universo amostral da análise é o Bloomberg ESG Score Total Coverage Index (BESGCOV), que abrange aproximadamente 17 mil empresas nos mercados globais. Após a consideração da disponibilidade de dados, o modelo de regressão global de OLS, com controles de tamanho, setor e região, foi estimado em uma amostra de cerca de 2,9 mil empresas.
O Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) é calculado como [KD*(TD/V)] + [KP*(PN)] + [KE*(E/V)]
Onde:
KD = custo da dívida, TD = dívida total, V = capital total, KP = custo de preferred, P = capital em preferred, KE = custo de capital, E = capital próprio
Os indicadores de risco climático físico desenvolvidos pela Riskthinking.AI e pela Bloomberg estão disponíveis para os usuários do Terminal Bloomberg em ESG CLMR.
FonteCâmara dos Deputados