Ana Fontes Transforma Propósito em Impacto para Milhões de Empreendedoras

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Ana Fontes

Gabrielli Motta/Forbes

“Colocamos o empreendedorismo feminino ‘no mapa'”, diz Ana Fontes, fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora

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Ana Fontes, fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora, é a primeira convidada do novo videocast de Forbes Mulher, “Mulheres Poderosas”. Apresentado pela editora Fernanda Almeida, o projeto convida destaques da lista anual Mulheres Mais Poderosas do Brasil para falar sobre carreira, propósito, liderança, desafios e momentos de destaque da trajetória.

Criadora da primeira e maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino no país, que já impactou mais de 10 milhões de brasileiras, Ana revisita sua história, compartilha aprendizados e explica como transformou seu propósito em um negócio social sustentável.

Do interior do Alagoas à gerência de multinacional

A empreendedora nasceu em Igreja Nova, no Alagoas, em uma família com outros nove irmãos. Estudou em escola pública até a faculdade. “Acabei fazendo publicidade porque era mais barato que jornalismo”, conta. Construiu uma carreira sólida no mundo corporativo. Trabalhou 18 anos em uma gigante do setor automotivo, onde foi gerente de marketing, relacionamento e atendimento ao cliente. “Durante quatro anos, fui a única mulher executiva em vendas e marketing. Eram 59 homens e eu”, diz. “O processo de trabalhar nesse ambiente mais desafiador me ajudou muito a empreender.”

A cultura corporativa da época cobrava um preço alto. Em um episódio marcante, concorrendo a uma proporção interna, chegou à etapa final do processo, com outros dois candidatos homens. “O diretor olhou minha ficha e falou: ‘Seu desempenho nos últimos anos foi excepcional. Pena que você é mulher’”, lembra. “Perguntei: ‘O que você precisa que uma mulher não pode fazer?’ E ele foi muito claro: ‘Quero alguém que bata na mesa, fale mais alto e faça os times entregarem de forma agressiva.’”

Ana argumentou que poderia entregar os mesmos resultados sem precisar levantar a voz. Ainda assim, perdeu a vaga. “Sem perceber, eu comecei a imitar os homens. Só me dei conta quando saí de lá”, conta. “Olhei meu guarda-roupa e tinha 18 terninhos. Não tinha roupas que me representavam.”

Em dezembro de 2007, sentiu que tinha atingido o teto de vidro e decidiu deixar uma carreira sólida para empreender. “Existe uma visão de que empreender é começar e logo ganhar dinheiro. Não é”, foi o que ela logo descobriu.

O primeiro salto no empreendedorismo

Seu primeiro negócio foi o Elogia Aqui, um site de resenhas positivas. Em paralelo, criou um coworking, que chegou a ser um dos dez maiores do Brasil, com 1.100 m². Depois, nasceu a semente do projeto que mudaria sua vida e a de milhões de brasileiras: a Rede Mulher Empreendedora, focada em capacitar, conectar e fomentar negócios liderados por mulheres, oferecendo desde cursos e mentorias até programas de aceleração e microcrédito.

“Para mim, empreender é buscar soluções.”

A rede surgiu primeiro como propósito para depois se tornar negócio. Mas ela sabia que precisava equilibrar os dois: “Sem esse equilíbrio, o propósito vira ilusão. E mostramos esse caminho para as mulheres.”

Hoje, a RME opera com 50 colaboradores, mais de 2.000 voluntárias, tem atuação em mais de 2.000 municípios e mais de 20 grandes empresas parceiras, como Google, Ambev e Visa. “Trabalhamos oferecendo educação, que é nosso pilar mais importante; conexão, juntando essas mulheres em pequenos grupos locais para que se fortaleçam; e mentoria.”

Futuro e impacto global

Foi a Rede Mulher Empreendedora que colocou o empreendedorismo feminino “no mapa”. “Colocamos as mulheres nos holofotes, mostrando que elas estavam criando negócios, fazendo a diferença e representando a economia.”

Para sustentar esse crescimento, a empreendedora precisou repensar seu papel. “Fundei a rede e lidero até hoje, mas estou trazendo novas lideranças, porque é importante formar quem continuará essa jornada e esse legado.”

Além da RME e do Instituto de mesmo nome, Ana atua em espaços decisivos de influência global. Participa do W20, do Conselho do Pacto Global da ONU no Brasil e é conselheira de organizações como Seguros Unimed, Instituto Avon e Universidade Anhembi Morumbi.

Com uma agenda intensa de eventos e viagens, Ana Fontes faz questão de desromantizar a perfeição. “Eu me organizo, mas não dou conta de tudo. E está tudo bem”, afirma. “Não sou mulher maravilha nem guerreira, fujo desses estereótipos. Sou mulher possível. Pratinhos caem, tem dias ruins, e faz parte.”

Assista ao episódio de “Forbes Mulheres Poderosas” com Ana Fontes:

Ouça:

A série “Forbes Mulheres Poderosas” será exibida semanalmente, com novos episódios às segundas-feiras, no canal da Forbes Brasil no YouTube, Spotify e na sua plataforma de áudio favorita.





FonteCâmara dos Deputados

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