China está exportando desinflação ou deflação para o Brasil, diz Galípolo

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BRASÍLIA – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira, 1º, que a China vem exportando desinflação ou deflação para o Brasil, a depender dos produtos. Em um evento da XP, em São Paulo, ele destacou que a quantidade de produtos importados do país asiático cresceu, enquanto os preços caíram ao longo deste ano.

“No final do dia, ele está ali amortecendo, vamos dizer assim, um impacto que seria ainda maior, tanto para déficit de transações correntes quanto para a inflação”, disse o banqueiro central.

A deflação é o oposto da inflação, e acontece quando os preços dos produtos caem ao longo do tempo. Já a desinflação é a diminuição do ritmo de crescimento da inflação.

Galípolo afirmou que o crescimento do déficit em transações correntes do Brasil é mais uma evidência de que a economia do País está resiliente. Sobre a China, ele acrescentou que, na última sexta-feira, 28, o Pix atingiu recorde de transações, por causa da Black Friday e do pagamento do 13º salário. Plataformas que importam da China também atingiram recorde de vendas, disse.

Impacto das tarifas

O presidente do Banco Central voltou a afirmar que os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a economia global não ocorreram como era imaginado. Ele ponderou que há uma discussão sobre a possibilidade de ainda haver uma defasagem, mas ressaltou que, por ora, o cenário esperado não ocorreu.

Galípolo acrescentou que, especificamente sobre o impacto na inflação, a visão predominante no mercado é de que o tarifaço deve representar mais uma mudança no nível de preço do que um processo inflacionário. “Por isso você não vê uma desancoragem na inflação nos outros períodos”, pontuou.

Galípolo também observou que, à frente, a expectativa é de menos inflação relacionada ao efeito da inteligência artificial (IA) sobre o ganho de produtividade, o que tende a permitir um “mercado de trabalho mais solto”. “Essa combinação de ganho de produtividade com o mercado de trabalho mais solto teria um cenário menos inflacionário”, disse.

Ele destacou que essa é a visão da maior parte dos investimentos estrangeiros, mas enfatizou que há mais cautela entre os banqueiros centrais. “Sempre existe uma ressalva maior por parte dos banqueiros centrais e por parte do mercado, acho um otimismo maior em relação ao do AI.”



Fonte ONU

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