A medição da emissão de carbono para países tropicais está defasada, de acordo com líderes da agropecuária local.
O CEO da Bayer Brasil, Marcio Santos, explicou que isso acontece porque, inicialmente, as calculadoras feitas para este fim foram desenvolvidas para regiões com clima temperado, no norte do planeta.
Ele foi o convidado episódio do podcast Raiz do Negócio, sua estrada entre o campo e a Faria Lima, parceria entre o InfoMoney e The Agribiz, o
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Peculiaridades locais
À medida que as técnicas têm evoluído, ele diz ser natural que exista uma demanda por uma aferição mais adequada ao ambiente em questão. E a medição deveria, segundo o executivo, levar em consideração as peculiaridades locais.
Como exemplo, é possível citar como os processos precisam ser diferentes quando se tem uma plantação após formação de gelo e outra em um clima mais seco. Isso muda em tipos de safra, qualidade e até mesmo quantidade.
“Plantar em Belém, com o calor, esse que nós estamos vivendo aqui [na COP30] o ano inteiro, é diferente de uma outra região onde você planta após tirar o gelo do solo. Então, esse é o tamanho da distinção”, resumiu.
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A métrica, diz Santos, permite dimensionar e entender quais foram as ações tomadas para chegar até determinados resultados. E isso pode ajudar, inclusive, a moldar planejamentos mais eficientes. E com embasamentos mais fidedignos também.
Parceria Embrapa
Nesse contexto, a Bayer Brasil, realizou uma parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Agropecuária) recentemente. Eles desenvolveram uma calculadora com a capacidade de considerar justamente as características locais de um clima tropical. Um dos exemplos de sucesso é a medição de carbono para a soja. De acordo com o executivo, foram cerca de cinco anos de projeto, com o auxílio de mais de dois mil produtores do país.
“A gente mostra uma pegada de carbono que é um terço da média global. Nós fizemos isso com base na metodologia local, que considera duas safras por ano. Isso já tem um manejo completamente diferente”, explicou.
Além, por exemplo, de plantio direto e inoculação, típicas de agricultura tropical. “A gente tem uma pegada de até 700 quilos de carbono por tonelada de soja produzida, contra uma média mundial acima de duas toneladas.”
O que falta, ressalta o CEO da Bayer Brasil, é um alinhamento diplomático com outras nações que compartilham de clima semelhante para que isso possa seguir de maneira conjunta.
A entrevista foi realizada durante a COP 30, em Belém, no Pará, com a apresentadora e fundadora do The AgriBiz, Tatiana Freitas, in loco, para cobertura do evento.
FonteAgência Brasil
