A responsabilidade das empresas no genocídio dos palestinos

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Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados
Francesca Albanese (foto ONU)

O genocídio israelense continua porque é lucrativo para muitos. A afirmação consta do relatório “Da economia da ocupação à economia do genocídio”, cuja prévia foi divulgada pela relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese. O documento trata da situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967.

“Este relatório investiga a estrutura corporativa que sustenta o projeto colonial israelense de deslocamento e recolocação dos palestinos nos territórios ocupados. Enquanto líderes políticos e governos se esquivam de suas obrigações, muitas entidades corporativas lucraram com a economia israelense de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio”, sustenta Albanese.

O relatório cita nomes de diversas empresas, especialmente estadunidenses, mas também europeias e asiáticas, não só do segmento de armas como a Lockheed Martin; são citadas corporações que faturam com máquinas, equipamentos e serviços.

Bancos e fundos entre empresas citadas no genocídio de palestinos

“Após outubro de 2023, quando o orçamento de defesa israelense dobrou, e em um momento de queda na demanda, produção e confiança do consumidor, uma rede internacional de corporações sustentou a economia israelense. A Blackrock e a Vanguard estão entre as maiores investidoras em empresas de armas essenciais para o arsenal genocida de Israel. Grandes bancos globais subscreveram títulos do Tesouro israelense, que financiaram a devastação, e os maiores fundos soberanos e de pensão investiram poupanças públicas e privadas na economia genocida, ao mesmo tempo em que alegavam respeitar as diretrizes éticas”, acusa a relatora especial.

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Os Estados Unidos pediram ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que destitua Francesca Albanese do cargo de relatora especial para os territórios palestinos, alegando “má conduta” da italiana.

“A cumplicidade exposta por este relatório é apenas a ponta do iceberg; acabar com isso não acontecerá sem responsabilizar o setor privado, incluindo seus executivos. O direito internacional reconhece diferentes graus de responsabilidade – cada um exigindo escrutínio e prestação de contas, particularmente neste caso, em que a autodeterminação e a própria existência de um povo estão em jogo. Este é um passo necessário para pôr fim ao genocídio e desmantelar o sistema global que o permitiu”, defende.

“Ao lançar luz sobre a economia política de uma ocupação que se tornou genocida, o relatório revela como a ocupação perpétua se tornou o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia – proporcionando oferta e demanda ilimitadas, pouca supervisão e responsabilidade zero – enquanto investidores e instituições públicas e privadas lucram livremente”, prossegue a relatora.

Agronegócio e turismo continuam normalizando ocupação

O agronegócio também é acusado de sustentar a expansão dos chamados “assentamentos”, territórios palestinos invadidos e ilegalmente ocupados, segundo a ONU. “As maiores plataformas de turismo online continuam normalizando a ilegalidade das colônias israelenses. Supermercados globais continuam a estocar produtos dos assentamentos israelenses. E universidades em todo o mundo, sob o pretexto da neutralidade da pesquisa, continuam a lucrar com uma economia que agora opera em modo genocida.”

“As entidades citadas no relatório constituem uma fração de uma estrutura muito mais profunda de envolvimento corporativo, lucrando e possibilitando violações e crimes no território palestino ocupado. Se tivessem exercido a devida diligência, as entidades corporativas teriam cessado o envolvimento com Israel há muito tempo.”

“O setor empresarial, incluindo seus executivos, deve ser responsabilizado, como um passo necessário para pôr fim ao genocídio e desmantelar o sistema global de capitalismo que o sustenta”, conclui Albanese.

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Fonte Monitor Mercantil

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